quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Mãe de sobrinhos

Por Cláudia Pinto*

Ouve-se por aí que “não há amor como o de mãe” e esta é uma frase que me deixa a pensar em diversos momentos. 

Como costumo dizer aos amigos, conhecidos e pessoas com quem me cruzo, “sou mãe de sobrinhos”. E sinto mesmo o que digo. Apesar de já ter 31 anos e de ainda não ter passado pelo prazer da maternidade, tenho uma relação de grande proximidade com os meus dois sobrinhos, Gonçalo, de 34 meses e David, de 32. Os meus dois irmãos mais velhos foram pais com apenas dois meses de diferença para contentamento de toda a família. Apesar de ter sonhado com os brincos, as saias, os vestidos cor-de-rosa, rapidamente aprendi que jogar futebol é muito giro e brincar com carros pode ser uma autêntica aventura! Em 2011, aguarda-me mais um nascimento e imagine-se. É rapaz! Dois irmãos e três sobrinhos… A menina ficou mais uma vez em lista de espera.

O amor que sinto pelos meus sobrinhos é enorme. Costumo dizer que faço tudo por eles a menos que a minha agenda pessoal / profissional não permita. Mudo fraldas, levo-os a passear, vou buscá-los ao infantário, dou-lhes “papinha”e tento ser uma presença assídua. Já me disseram que o comportamento mudará no dia em que for mãe mas enquanto me deixarem, serei uma tia muito babada e presente. Na minha opinião, os tios podem desempenhar tarefas muito úteis aos pais e desenvolver um relacionamento próximo com os petizes, conciliando a sua própria vida com as exigências das crianças que crescem demasiado depressa e nos ensinam tanto!

O amor que sinto por eles é tão grande que me questiono onde caberá o tal amor superior e único que só se sente por um filho quando tiver o privilégio de ser mãe? Bom, saberei dosear os sentimentos e “dividi-los” adequadamente.

Não consigo compreender os tios que não estão presentes em cada momento importante dos seus sobrinhos: a primeira ida à praia; a primeira vez que viu o mar; o primeiro dia na escola; a primeira ida ao Oceanário ou ao Jardim Zoológico. São estes pequenos momentos que não se repetem como as representações teatrais que o Gonçalo e o David, no alto dos seus – quase - três anos proporcionaram recentemente. Delicioso. Brilhante. Emotivo.

Por mais problemas que tenhamos e mesmo que a vida nos apareça em tons de cinzento, eis que os sobrinhos nos enchem a alma e o arco-íris aparece! É como se de uma injecção de energia se tratasse. Mesmo quando não sou totalmente acarinhada (eu bem tento o tal beijo que demora a chegar quando não lhes apetece), saio de perto deles com energia extra para os afazeres profissionais. Sou uma apaixonada. De facto. Sem vergonhas. 

Um conselho a todos os tios ausentes? Há momentos, frases, gestos, expressões que não se repetem e que se perdem... Mais do que oferecer presentes no dia de aniversário e no Natal, é no crescimento e desenvolvimento dos seus sobrinhos que estão as pequenas grandes coisas. Regularmente. Aproveite os momentos. Não os desperdice. Não se repetirão!

*Cláudia Pinto é jornalista especializada na área da saúde, editora do Jornal do Centro de Saúde e colaboradora em várias publicações da área. Está actualmente a concluir o Mestrado em Comunicação em Saúde pela Faculdade de Medicina de Lisboa.

11 comentários:

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  2. Muito bom. Parabéns!

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  3. Apenas te posso dizer: Obrigada por existires!!!

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  4. Cláudia, estas tuas palavras são genuinamente como tu és. E eu tenho a sorte de não ser tua sobrinha mas ser tua amiga, porque essa entrega, essa presença mesmo na distância, essa dádiva de carinho e atenção, eu sinto-a há 13 anos desde que te conheço e que, repito, tenho a sorte de ser tua amiga. Gostei muito do texto!

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  5. Penso que o texto está muito bom, expressa tudo quanto sentes, e fazes por eles

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  6. Esse amor, Cláudia, é igual ao amor de mãe :)
    Simplesmente há pessoas que só o conhecem ao serem pais, outros nunca o chegam a conhecer.

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  7. Claúdia já fez o estágio e está aprovada com distinção.
    Agora pq não dar uma sobrinha aos seus irmãos e a priminha para os seus filhos/sobrinhos?
    Estou a pensar tb na nossa reforma :)

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  8. Eu sou mãe, mas também sou tia de 5 crianças de 14, 10, 4, 2 anos e 3 meses e percebo bem o que diz, porque sempre estivemos presentes, acompanhámos e brincámos com eles. Eles adoram-nos e não há nada melhor que vê-los a querer ficar connosco. São amores diferentes, mas são todos especiais e verdadeiros. Tenho uma cunhada que diz que sempre que lhe nasce um sobrinho, nasce-lhe uma alma nova e acho que é bem verdade.

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  9. Olá Cláudia. Subscrevo todas as suas palavras acerca dos afectos que nutre pelos seus sobrinhos. Já começava a acreditar num sentimento algo patológico da minha parte. Fico mais tranquila por saber que há mais tias como eu.

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  10. Obrigada pelos comentários. Também eu me sinto mais tranquila por este amor incondicional que se tenta explicar mas que acima tudo se sente com todas as nossas forças. E é tão bom ter o privilégio de estar com eles, ser parte da sua vida e viver estes momentos! Assumidamente, sou uma tia muito dedicada mas completamente babada!

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  11. Nossa, adorei tudo o que vc escreveu. É exatamente o que sinto por meus afilhados...
    Bjim

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