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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Seis em cada 10 crianças já tiveram experiências negativas na internet

29/06/10, Estudo "Norton Online Family Report"


De acordo com o estudo "Norton Online Family Report", uma em cada 10 crianças já foi alvo de tentativas de estranhos de as conhecerem na vida real, enquanto uma em cada quatro já viu imagens de violência ou nudez na internet. No entanto, menos de metade dos pais tem conhecimento destas experiências negativas dos filhos.

O relatório foi realizado com base num inquérito feito em Fevereiro deste ano em 14 países de todo o mundo, tendo sido questionadas mais de 2.800 crianças e 7 mil adultos em diversos países de todos os continentes, mas que não incluiu Portugal.

A análise determinou também que a maior parte das experiências negativas tem como base tentativas de estranhos de os recrutarem como "amigos" nas redes sociais (41%) e a contaminação dos computadores com vírus recebidos em downloads (33%). Essas experiências negativas têm um “profundo impacto emocional” nos mais jovens, sendo que um quinto das crianças se sente embaraçado e arrependido.

Entrevistado pela agência Lusa, o fundador do projecto MiudosSegurosNa.Net, Tito de Morais, defendeu que prevenir estas situações “é um trabalho de toda a sociedade”, mas que deve começar pelos pais, estando, por exemplo, alerta para pequenos indícios. “Muitas vezes há sinais simples: a frase que ele deixou como pensamento do dia ou a frase que escreveu como mensagem de status no Messenger”, adiantou, lembrando que isso torna ainda possível “ver quem faz parte da rede deles [e] quem são os "amigos"”.

fonte: Lusa

Nunca é demais pensar nestas coisas...

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Momento nostálgico à beira do fim de semana

Ou.. "no nosso tempo era tudo tão mais inocente".

Ou ainda... "idades parvas haverá em em todas as gerações"

Ou mesmo... "adolescentes, não vale a pena gastarem muitas energias a criticar os vossos pais e outros adultos em geral. Quando derem por isso, passaram 20 anos a correr e estão a dizer no meu tempo, e a suspirar e a abanar a cabeça"

Crescer toca a todos. Ai é, é.  

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Pensa antes de publicar




A facilidade da transmissão de informação na Internet faz esquecer que, a partir do momento em que publicamos algo online, essa informação deixa de ser nossa e passa a ser do mundo. Pode inclusivamente ser usada contra nós.

E quantos se lembram que, quando enviamos uma foto a alguém ou a colocamos online, nunca mais voltamos a ter controlo sobre a utilização que poderá ser feita daquela nossa imagem?

"Think before you post" foi o tema do última dia internacional para uma Internet mais segura, que se assinalou no passado dia 9 de Fevereiro:



Mais informação aqui:

Insafe: rede europeia de centros para uma Internet mais segura

Stop Cyberbullying

E em português:

Miúdos Seguros na Net


... O que pensam sobre tudo isto?

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A importância do "não"

*Por Bárbara Wong

Eles estão na pré-adolescência, os seus rostos estão a mudar, as bochechas-gordas-que-apetece-comer desapareceram e na linha T começam a aparecer as primeiras borbulhas. Mas, de manhã, ainda não acordaram e as suas faces continuam a cheirar a bebé. Espreguiçam-se e esticam o corpo, tal e qual como quando eram recém-nascidos, e nós, os pais, ficávamos a olhar para eles, embevecidos.

Hoje, continuamos a olhar para eles embevecidos não porque se espreguicem, riem ou balbuciem, mas porque estão grandes, porque começam a ser autónomos e responsáveis.

Só que nem todos os dias são de embevecimento! Há dias de arrelias, de confronto porque estão a crescer, porque têm as suas opiniões e fazem questão de as defender. Mas é assim desde pequenos, os motivos de confronto é que vão mudando: primeiro, não querem comer a sopa e determinados fecham a boca; depois, não querem ir para a cama mais cedo...

Para todos estes momentos, a psicóloga espanhola María Jesús Álava Reyes, autora de vários manuais de auto-ajuda, publicados pela Esfera dos Livros, recomenda que os pais sejam coerentes. Nada de dizer primeiro que “não”, mas ao mínimo confronto fazermos a vontade à criança. As regras são fundamentais para que a criança tenha estabilidade e segurança.

"O não também ajuda a crescer", recém-publicado, é um livro muito prático que acompanha o crescimento da criança desde o momento que nasce até à idade adulta e é arrepiante quando se lê, lá mais para o fim, o que é que os filhos crescidos e com problemas dizem aos pais: Porque é que me deixaste fazer tudo o queria? Porque é que nunca me disseste que não?

No final de Janeiro, María Jesús Álava Reyes esteve em Lisboa e conversei com ela. Dizia-me que as crianças são muito diferentes e mudaram muito nos últimos 30 anos. Sabem mais, mais cedo; mas adquirem maturidade mais tarde. A culpa é dos pais, diz claramente. Somos nós que os superprotegemos, que lhes damos tudo, seja a comida favorita, seja o jogo que todos os outros têm.

No livro, María Jesús Álava Reyes explica: “Os pais têm de ser pais, não colegas, têm de assumir o seu papel e as suas funções, embora por vezes lhes custe; têm de ser capazes de orientar os seus filhos, favorecer o seu pensamento, o seu raciocínio, a sua sensibilidade, a sua sociabilidade, o seu auto-controlo, o seu afecto; ainda que por vezes pressuponha um esforço importante da sua parte; ainda que por vezes as crianças pareçam fechar-se nos seus argumentos; ainda que emocionalmente lhes seja muito difícil; mas têm de consegui-lo e para isso comportar-se-ão como adultos, falarão como adultos, estabelecerão as normas como adultos e, se necessário, reforçá-los-ão ou dir-lhes-ão “não” como adultos.”

Com María Jesús Álava Reyes não aprendi a dizer “não” porque essa é a palavra que os miúdos mais ouvem desde que nascem; mas aprendi que o “não” nem sempre precisa de ser explicado, que é o que sempre faço. Por exemplo: Se nos pedem para ir para a cama mais tarde e nós dizemos “não”, nada de ficar meia hora a justificar aquela decisão. Foi meia-hora que as crianças perderam de sono e ganharam com a sua teimosia. Basta dizer-lhe: “Já sabes que tens que ir para a cama cedo” e acabou!

No dia seguinte, lá estarei, embevecida, a vê-los acordar.

*Bárbara Wong é jornalista no "Público" há 13 anos, especializada em temas de Educação, Ensino Superior e Família.
Em 2005 ganhou o prémio de jornalismo "A Família e a Comunicação Social", com um texto sobre os pais que partilham tarefas com as mães, intitulado “Um homem na sala e na cozinha”.
Em 2008 publicou o livro "A Escola Ideal: Como escolher a escola do seu filho dos 0 aos 18 anos". É co-autora, com a professora Ana Soares, do blogue Educar em Portugues.
É casada e mãe de um rapaz e de uma rapariga.