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quarta-feira, 17 de março de 2010

Investir no futuro: viver mais e melhor!

Por Graciete Bragança*



As doenças relacionadas com a alimentação, como a obesidade, a diabetes, as doenças cardiovasculares e o cancro, têm vindo a revelar-se das principais causas de morte nos países ditos civilizados. Mas estas doenças podem em grande parte ser evitadas se adoptarmos estilos de vida saudáveis, nomeadamente uma alimentação equilibrada e actividade física regular.

As modificações no meio ambiente e no modo de vida são tão profundas que não podemos pensar em voltar ao tempo dos nossos bisavós e comer os legumes da horta e as galinhas criadas no quintal. Mas podemos, em vez de passar o fim de semana a ver televisão ou fechados no centro comercial, aproveitar para fazer uma caminhada em família ou ir para a rua jogar à bola com os nossos filhos…

É nosso dever de pais e educadores desenvolver todos os esforços para que os nossos filhos cresçam segundo o lema “ Mente sã em corpo são”. Para isso temos de promover o seu bem estar, protegê-los da doença, transmitir-lhes o gosto pelos princípios de vida saudável e formá-los para que um dia possam eles próprios fazer autonomamente as escolhas mais equilibradas. Mas não se esqueça que dar o exemplo é a forma mais eficaz de educar, por isso, questione os seus próprios hábitos e comece a mudança em si mesmo.

Se quer que o seu filho viva mais e melhor, não esqueça estas 10 Regras de Ouro:

1. Faça os possíveis para que o seu filho se alimente exclusivamente de leite materno durante os primeiros 6 meses de vida e prolongue o aleitamento materno o máximo que puder.
O aleitamento materno diminui o risco de obesidade e alergias.
Os leites de substituição aumentam o risco de doenças crónicas

2. Não adicione sal ou açúcar à alimentação do seu filho no primeiro ano de vida e depois eduque o seu paladar de forma a consumir sempre pouco sal. O consumo de sal no primeiro ano de vida aumenta o risco de doença cardiovascular nomeadamente AVC na idade adulta.

3. Zele para que o seu filho tenha uma alimentação saudável, em casa, no infantário e na escola.
Não sair de casa sem tomar o pequeno almoço - evitar tomá-lo no café da esquina. Fraccionar as refeições ao longo do dia. Comer tranquilamente e mastigar bem os alimentos. Evitar concursos do género "vamos ver quem acaba primeiro". Respeitar o horário das refeições e o ritmo da criança. Acompanhar as refeições com saladas cruas ou legumes cozinhados.Preferir as gorduras vegetais às gorduras de origem animal.

Limitar o consumo de alimentos pré-confeccionados e snacks.
Limitar o consumo de refrigerantes: eleja a água como bebida de excelência.
Fazer do “doce” uma prática de dia de festa e não diária.

4. Esteja atento para que o seu filho tenha espaços e tempos de lazer, onde possa caminhar, dançar, jogar à bola, andar de bicicleta, correr... Actividades de tempos livres e passeios em família. O exercício físico regular previne a obesidade e melhora o perfil lipídico (gorduras no sangue).
A actividade física deve ser um prazer e não uma obrigação.

5. O tempo em frente à televisão ou ao computador não deve exceder as 2 horas por dia. O sedentarismo é um dos factores de risco para a obesidade.


6. Evite que o seu filho seja um fumador passivo e comece logo que possível a alertá-lo para os perigos do tabaco. Não exponha o seu filho a ambientes nocivos. Ensine o seu filho a apreciar e a preservar o meio ambiente.

7. Esteja atento aos quilos extra – pequenas modificações numa idade precoce podem evitar grandes males futuros. Se o peso for excessivo a saúde corre perigo.

8. Se na sua família há casos de hipertensão arterial, dislipidémia (aumento do colesterol ou dos triglicéridos), diabetes ou acidentes isquémicos (enfartes, tromboses..), o risco de o seu filho vir a ter uma destas doenças é maior e portanto não descure os exames médicos de rotina. A prevenção e o tratamento atempado salvam vidas!

9. Cuidado com o sol: use protector solar. O sol em excesso é prejudicial mas fugir dele diminui a produção de vitamina D, essencial para o desenvolvimento dos ossos e sistema nervoso. Evite o Sol durante as horas mais quentes do dia, entre as 11 e as 17, e aplique frequentemente protector solar.

Até aos 6 meses, não leve os bebés à praia e, até um ano, evite a sua exposição directa ao Sol.

10. Alerte o seu filho sobre os perigos do álcool e comportamentos de risco.

* Graciete Bragança é pediatra, especialista em Endocrinologia.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O novo Ronaldo

Por Luís Milhano*

Quando era miúdo, lembro-me – claro que me lembro, pois essa criança ainda vive em mim – que o meu pai, como tantos outros, proibia-me de jogar à bola.
Fazer umas futeboladas na rua sim, mas nada de mais sério.

E o mais sério começava por ser a participação num qualquer treino de captação que os clubes organizavam para os jovens aspirantes a futebolistas.

Nessa altura, ser futebolista não era profissão, era uma brincadeira e só servia para distrair das verdadeiras prioridades da vida: estudar, tirar um curso e arranjar emprego para a vida.

Mas os tempos mudam e as vontades também. Os cursos deixaram de garantir empregos, os empregos já não eram eternos e, acima de tudo, o futebol começou a gerar milhões.
Foi então que os pais passaram a incentivar os filhos, ofereceram-lhes equipamentos completos e até os começaram a levar, com as devidas comodidades, aos treinos do clube mais próximo (muitos por troca com a escola).
Todos queriam ter em casa o novo Eusébio ou o novo Maradona e, com isso salvaguardar o futuro. Deles e dos filhos.

Mas no futebol, como em tudo na vida, só vingam os melhores e, no processo, perdeu-se muita gente que abdicou de estudar, desperdiçou oportunidades e falhou no sonho de ser um jogador mundialmente reconhecido. Ou melhor, um jogador principescamente remunerado.

Mas o processo – devidamente alicerçado numa comunicação social sedenta de novos ídolos – não parou e, hoje, os clubes já contratam pequenas vedetas de 12/13 anos e falam mesmo em descobrir o novo Cristiano Ronaldo. “O novo Cristiano Ronaldo” imagine-se! Já se fala em descobrir a nova versão de um jogador que tem apenas... 24 anos! Sinceramente não sei quem estava certo, se o meu pai super-protector, se os outros super-liberais.

Mas a virtude talvez esteja no meio. Como quase sempre.

* Luís Milhano, tem 42 anos, é formado em Antropologia e ocupa o cargo de editor-executivo do diário desportivo “Record”. Foi professor do ensino secundário antes de iniciar a carreira de jornalista no Diário de Notícias.