Mostrar mensagens com a etiqueta segurança alimentar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta segurança alimentar. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Comprar alimentos para as crianças: que cuidados ter?

imagem: Getty Images


Por Solange Burri*


Na visita ao supermercado, a necessidade de saber escolher os produtos alimentares mais adequados, e não apenas avaliar a relação qualidade/preço afixada, adquire fundamentada preocupação junto das pessoas que assumem a responsabilidade da alimentação de crianças. Este facto está não só relacionado com a preocupação de valorizar nutricionalmente os cuidados alimentares deste vulnerável grupo de risco mas também pela excessiva oferta alimentar que actualmente se pratica e corrompe a capacidade económica de múltiplas famílias.

Por isso, o artigo de hoje pretende esclarecer os cuidados que devem orientar o consumidor no momento de adquirir alimentos para crianças rentabilizando assim uma escolha mais acertada que promoverá a certeza de uma compra bem sucedida e, a longo prazo, a educação alimentar no lar. Saiba pois produtos alimentares deve procurar nas prateleiras dos supermercados e quais deve evitar:

- Preparações de cereais (Papas): as instantâneas apresentam formulações muito semelhantes e podem ser preparadas a partir de água (lácteas, já contêm leite em pó) ou do leite do bebé (não lácteas) sendo que, neste último caso, são indicadas para bebés amamentados ou que apresentem um quadro de alergias. Instantâneas ou prontas-a-comer, respeite a faixa etária a que se aplicam, varie as marcas e os sabores entre si, salvaguardando sempre a possibilidade de alergia em cada nova introdução. O glúten só deve oferecido a partir dos 6 meses. Para qualquer faixa etária, vigie no rótulo, a composição nutricional em hidratos de carbonos total, onde o elevado teor de açúcar pode ser dissimulado bem como o nível de sódio (sal) que deve sempre ser o mais baixo possível. A adição de mel ou de chocolate é desfavorável;

- Boiões de Fruta: os boiões, de composição 100% fruta, são a melhor opção desde que não comprometam o frequente consumo infantil de fruta crua. Rejeite formulações cujo rótulo registe mel na sua composição ou outro ingrediente que potencie o paladar doce (sacarose, frutose, dextrose, maltose…ose!) que a fruta já possui. Fique atento a marcas mais baratas que desrespeitam o amadurecimento ideal da fruta e compensam a sua acidez com ácido cítrico (E330) e açúcar;

- Boiões de comida: no geral, as reconhecidas marcas de alimentação infantil apresentam estes alimentos fortemente controlados tendo em conta as especificidades nutricionais das faixas etárias rotuladas. Mas o seu baixo teor proteico, adição precoce de sódio (sal) e necessidade de aditivos que salvaguardem a sua segurança fazem destes produtos uma opção desinteressante. Além disso, grande parte não se adapta à cultura gastronómica portuguesa, desfavorável no importante processo da educação alimentar infantil;

- Bolachas: as opções destinadas para bebés de idade mais precoce são interessantes, pela sua textura e formulação pouco rica em açúcar e sódio e sempre que não ocorra reacção ao glúten. A clássica bolacha maria é sempre uma boa opção: vigie no rótulo o teor de açúcar bem como de sódio e a existência de gorduras hidrogenadas (trans).

- Iogurtes: escolher apenas as variedades refrigeradas que têm efeito probiótico. Antes da introdução do leite de vaca na dieta infantil, adquira apenas iogurtes de transição. A partir daí, privilegie o consumo de iogurte natural, não açucarado, sempre à base de leite semi-desnatado. Rejeite versões mini ou adoçadas com mel, lactose, frutose, etc. ou chocolate e atracções similares. Variando marcas, procure sempre o prazo de validade mais alargado. Rotulagem bifidus/bio deve ser específica para crianças até aos 3 anos. Opções light apenas por recomendação médica.

Esperando que cumpra estes requisitos na rotina das suas compras lembrámos ainda da importância de favorecer sempre a alimentação não processada industrialmente, que deve confeccionar a partir de alimentos frescos e de qualidade assegurada. Salvaguarda assim a saúde infantil, poupa na farmácia e…no pediatra!

*Solange Burri
Segurança Alimentar e Nutrição Infantil
http://www.babysol.com.pt

quinta-feira, 11 de março de 2010

Os perigos que a nossa cozinha esconde

Por Solange Burri*

Imagem: Getty Images

Actualmente muito se tem falado em segurança alimentar, sobretudo em sistemas aplicados à indústria alimentar, distribuição e restauração. Contudo, a necessidade de prolongar os cuidados dos alimentos, desde que o consumidor os adquire até que os prepara, é importante para assegurar a qualidade do alimento ao ser ingerido e para que não provoque uma intoxicação alimentar. Este facto é tanto mais grave quanto maior for a vulnerabilidade do consumidor em questão sendo que crianças, grávidas, idosos e indivíduos imuno-comprometidos representam grupos de risco onde os cuidados relacionados com a alimentação devem não só respeitar as específicas necessidades nutricionais mas também garantir a sua inocuidade microbiológica.

A cozinha doméstica representa o local doméstico onde decorre a preparação culinária com um movimento contínuo de alimentos crus e congelados, razão pela qual devem ser articulados determinados cuidados para perdurar a qualidade dos alimentos adquiridos e contribuir também para o bem-estar de todos os membros da família.

Assim, na manutenção da sua cozinha, assegure as seguintes condições:

- Lave sempre as mãos antes de começar a preparação culinária;

- Na bancada separe alimentos cozinhados de alimentos crus, evitando o contacto entre si de modo directo ou por meio de utensílios (ex. facas, garfos, tábuas, etc.). Opte pois por manipular os alimentos cozinhados e apenas depois destes manuseie os alimentos crus;

- Assegure um funcionamento eficaz do seu frigorífico e congelador. Evite pois abrir a porta demasiadas vezes bem como sobrelotar a sua capacidade;

- Em nenhum momento armazene no frio os alimentos quentes. Seja para refrigerar ou congelar, os alimentos devem ser previamente arrefecidos permanecendo tapados para impedir recontaminação após o processo culinário;

- Salvaguarde sempre que o receptáculo que reúne o lixo da cozinha se encontra afastado da zona de preparação alimentar e está sempre tapado, impedindo a atracção de insectos que representam veículos de contaminação alimentar;

- Por fim, será importante salvaguardar que o re-aquecimento de um alimento já cozinhado e armazenado é realizado durante tempo suficiente para o aquecer bem e não apenas até estar apto a consumo. Deste modo eliminam-se bactérias que entretanto, durante a armazenagem, tenham conseguido desenvolver-se.

- Nunca descongele alimentos à temperatura ambiente. Faça-o sempre de véspera colocando no frigorífico ou descongelando directamente no micro-ondas.

Estes cuidados devem fazer parte da rotina diária dado que grande parte dos alimentos contaminados com microrganismos patogénicos não evidenciam alteração sensorial capaz de avisar o consumidor que o alimento não se encontra apto para consumo.

Fique pois atento e proteja-se…!

*Solange Burri é Mestre em Inovação Alimentar e Consultora em Alimentação de Grupos de Risco. Assina o blog BabySol® onde dá apoio a Pais e Profissionais sobre a Alimentação de Crianças e Grávidas.