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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Uma ideia gira para as últimas idas à praia

fotografia: Ana Catarina Pereira



Mais uma ideia enviada por uma mãe e partilhada pelo Bebé. Vejam lá se não é tão giro:

Apesar das férias já estarem quase no fim deixo uma sugestão para quem faz férias na praia.



Os miudos adoram apanhar pedrinhas, conchas e afins. É uma excelente maneira de os manter ocupados e a fazerem exercício caminhando pela praia.


Este anos resolvemos usar algumas dessas pedras e fazer o nosso jogo do galo.


Depois de escolhidas as pedras, pintámos 3 com uma X e outras 3 com um 0. Como as pedras eram mais que muitas fizemos ainda um 2º conjunto com as iniciais do nome deles. Não tinhamos tintas para pintar....usámos o verniz das unhas da mãe ;-) ....ficou perfeito! Arranjamos uma bolsinha para colocar as pedrinhas.


Agora jogamos todos as jogo do galo. Uma forma divertida de entreter a criançada.

E é mesmo. Obrigado, Ana Catarina!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Brincar é um assunto sério



Por Inês Torrado*


Vou focar apenas alguns apontamentos sobre a importância de brincar, como jogo livre, espontâneo, que se vai inventando, só ou acompanhado, ao longo do tempo.

O saber brincar é uma das actividades mais sérias desempenhadas pelas crianças. Na Carta dos Direitos da Criança, o direito a brincar é o VII Príncipio, tão essencial como o direito à saúde, à educação e à segurança.

E brincar ensina-se... brincando.

Os prazeres partilhados com os pais na brincadeira, são momentos únicos, por si e pelo valor que os pais dão ao jogo dos filhos. Não é um passatempo e muito menos uma perda de tempo.Ao partilhar um jogo com a criança, possibilitamos-lhe poder reproduzir essa brincadeira e depois reinventá-la a partir daí, sózinha ou com outros companheiros.

O jogo é o motor de todo o desenvolvimento psico-motor da criança.

A sua primeira parceira de jogo será a mãe (ou o pai...), depois as suas mãos, os seus pés... A criança descobre o mundo progressivamente, interagindo com ele.

Com o jogo do "cu-cu" (esconder a cara e voltar a aparecer), o bebé cria a noção de permanência do objecto. Diverte-se e ultrapassa a angústia da separação. Pouco a pouco, através do prazer que lhe proporciona o brincar, vai progredindo nas suas aquisições, ganhando cada vez mais segurança e autonomia.

Adora explorar os objectos da casa, que "pertencem aos pais". Mais tarde imita os pais e depois já só precisa de fazer de conta que é grande.

Este período riquíssimo do jogo simbólico irá permitir à criança resolver a nível inconsciente os seus problemas, adquirindo um sentimento de controlo dele próprio, que está longe de possuir na realidade. Nessa altura, já é capaz brincar com os outros, interiorizando as regras sociais, o ganhar e o perder, o esperar e o partilhar... Também nesta fase, o jogo ajuda a desenvolver a perseverança e o esforço perante a dificuldade, que tanta falta faz na escola e pela vida fora.

O brinquedo deve estimular a fantasia. Não pode ser demasiado perfeito para deixar lugar à criatividade. Também o excesso de prendas dispersa a atenção, leva à desvalorização e ao desinteresse. É necessário ter tempo para desejar, para explorar e inventar.

Hoje o tempo acelerou, entra-se para a escola mais cedo e por demasiado tempo em cada dia. Algumas crianças têm agendas preenchidas de actividades, onde se tentam desenvolver tarefas e talentos. Será que sobra tempo para se aborrecer e para se perder?

O espaço para se mexer é cada vez mais diminuto e controlado, sobretudo nas cidades. As ruas são perigosas, as escolas sem recreio, os apartamentos pequenos, a natureza longe, e é mais difícil expandir energias, explorar o potencial físico e psíquico das crianças.O isolamento também é maior.

Os ecrãs (televisão, computador, consolas...) mantêm as crianças sossegadas, mas tempo demais... distraem-nos deles próprios, tornando-os passivos, dependentes de fantasias pré-fabricadas, ficando cada vez mais dependentes dos adultos ou das máquinas para organizar os seus tempos.

O prazer que se tira da brincadeira prolonga-se no prazer de viver ao longo da vida. Fortalece a nossa capacidade de adaptação às dificuldades e dá entusiasmo.

Um autor alemão lembra- nos que "o homem não é verdadeiramente homem, senão quando brinca".


*Inês Torrado é pediatra.

quarta-feira, 24 de março de 2010

E agora, senhores?

Por João Paulo Batalha*


Estive recentemente em Lagos, onde a Associação de Gestores Culturais do Algarve organizou um seminário sobre Serviços Educativos em Espaços Culturais. Foi uma oportunidade para programadores, técnicos e especialistas em serviços educativos de todo o país pensarem o futuro dos nossos espaços culturais – e, entre outros temas, discutir qual é o lugar das crianças nestes espaços.


As boas notícias: há uma nova geração de gente da cultura farta de museus feitos de vitrinas fechadas. Os nossos espaços culturais têm de ser casas abertas à comunidade, onde as pessoas vêm para ver mas também para participar, para discutir, para construir.


Como muito bem nos mostrou David Anderson, director do centro de aprendizagens do Victoria & Albert Museum de Londres, as pessoas vão aos museus à procura de experiências educativas, sim, mas que sejam acima de tudo divertidas para toda a família. “A qualidade da experiência conta!”, foi o que ele nos disse.


Ficámos a conhecer imensos bons exemplos nacionais (na Gulbenkian, em Serralves, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, e em sítios tão improváveis como o Mosteiro de Tibães, em Braga). Pouco a pouco, com enorme dedicação e criatividade, há gente dinâmica a soprar nova vida nos nossos espaços culturais. A criar experiências que merecem ser vividas.

E cada vez mais as crianças deixam de ser aquele público que vem por acréscimo e para quem lá se organizam uns ateliers para as manter entretidas. Cada vez mais fazem parte da visita, fazem parte do museu, cada vez mais arregaçam as mangas e participam, aprendem. E ensinam-nos a fazer melhores museus, a criar melhores experiências.

Agora as más notícias: quando existem, os serviços educativos são quase sempre departamentos menores dentro dos centros culturais, onde se vão fazendo alguns ateliers colados à programação do dia. Falta-lhes autonomia, faltam-lhes recursos e, muitas vezes, apesar de toda a boa-vontade (e há muita!), falta-lhes gente com formação à altura. Precisam da imaginação e da exigência dos pais, das famílias e das crianças. Estão à espera de ser desafiados!

Deste seminário saiu a vontade de transformar os serviços educativos em espaços permanentes de contacto com o público – e em particular com as crianças. Não só para lhes falar, mas para as ouvir. Para deixar que elas criem connosco os museus e as salas de espectáculos que queremos ter. As coisas estão a mudar e é tão bom constatar isso! Mas cabe-nos a nós, público, a obrigação de sermos sedentos, de procurarmos mais e de exigirmos melhor. De bebermos o que aí há e não demorarmos a perguntar a programadores, gestores culturais e patrocinadores: E agora, senhores?


*Formado em História, João Paulo Batalha é jornalista e fundador da Storymakers, uma empresa dedicada à produção de exposições, eventos e produtos culturais para crianças.

terça-feira, 9 de março de 2010

Põe-te na rua!

Por João Paulo Batalha*





De vez em quando recebo daqueles e-mails em cadeia (que desconfio ser sempre o mesmo e-mail) recordando as doçuras de ser criança nos anos 80: brincávamos na rua e comíamos terra e não morríamos. Andávamos de carro sem cinto de segurança (eu ia com irmãos e primos para a praia do Guincho empoleirados aos sete e oito e nove em pé no banco de trás de um Citröen Diane, as cabeças de fora ao vento para cabermos todos) e não morríamos. Íamos sozinhos a pé para a escola e não morríamos.



O não morrermos parece ser um ponto recorrente destes e-mails em cadeia – e, de facto, é argumento de mérito. Pois eu também não morri. Mas, verdade seja dita, não recordo com grande nostalgia a beleza inocente de tempos mais simples. Não me lembro dos desenhos animados dos anos 80 que tanta saudade causam – eu dormia, durmo e conto continuar a dormir até tarde aos fins-de-semana. Lembro-me só vagamente dos sugos e das bombocas e dos doces que consta que já não se fazem como antigamente.



Acho mal que as crianças já não brinquem na rua. Mas mesmo isso, para dizer a verdade, acho mal em abstrato. Quando era miúdo vivíamos, pai, mãe e três irmãos, numa casinha apertada em S. João do Estoril. Tínhamos a praia quase ao lado, a serra não muito longe e, na altura, descampados a fartar, invulneráveis à urbanização, mesmo ao pé de casa.



Mas a verdade é que sempre fui muito caseiro. Nunca gostei de jogar à bola (o que calhava bem, porque sempre fui muito mau nisso). Ficava em casa a ver televsão. Uma vez um relâmpago acertou-nos na antena e queimou-nos o televisor. A minha mãe recusou-se a consertá-lo. Descobri a leitura. Depois veio o computador (parece hoje ridículo aplicar o termo “computador” àquilo). ZX Spectrum, nome feliz porque, ao arrancar, o ruído que fazia parecia de facto convocar os espectros. Os jogos eram de uma simplicidade ridícula, com umas cassetes que se inseriam não me lembro bem onde e chiavam desgraçadamente durante dois ou três minutos antes de nos fornecerem um passatempo estúpido e pouco desafiante. Ah, o PacMan, que saudade!, dirá o e-mail.



Para brincar na rua, as mais das vezes, só por expulsão. Os meus pais fartavam-se de nos ver em casa e punham-nos na rua. Vão brincar lá para fora! Nunca os denunciámos à linha de apoio à criança. Que não havia, na altura. E nunca morremos (o que é argumento de mérito). De resto, pôr as crianças na rua era boa ideia, mas não era por sermos crianças. É porque, de vez em quando, é bom pormo-nos na rua, ponto. Mesmo que tenhamos 80 anos. Mudar de hábitos, experimentar novidades, sacudir a complacência. Tudo isso é sempre bom e não tem idade. E afinal, também se fazem muitas coisas boas e úteis dentro de portas. Garotos caseiros também são boa gente.



Hoje as crianças já não brincam na rua. Não é seguro. Os pais vivem aterrorizados com histórias de ladrões e assassinos, de condutores bêbedos que as atropelam e passagens de nível sem guarda – ou faz chuva e cai granizo e caem-nos as crianças com pneumonias. Claro que a maioria destes receios são irracionais e a nossa percepção do risco é espectacularmente exagerada. Claro. Mas está disposto a apostar nisso a vida do seu filho? Pois. De modo que hoje as crianças já não brincam na rua – como nós brincávamos e não morríamos. É uma pena. Uma autêntica tragédia. Um mal irreparável.


Bom. Mudam-se os tempos mudam-se as vontades, muda-se o ser muda-se a confiança e por aí fora. Eu também nunca brinquei muito na rua e sou normal.


Mais ou menos.




*Formado em História, João Paulo Batalha é jornalista e fundador da Storymakers, uma empresa dedicada à produção de exposições, eventos e produtos culturais para crianças.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Hoje é um bom dia para...

Imprimir uma casinha de papel no trabalho. Levar para casa, cortar, pintar e colar com as crianças, depois dos banhos, antes de jantar (ou noutra ordem qualquer).

Está prontinha aqui.

E muitas ideias, simples e deliciosas aqui.