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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Olá Bebé Mentiroso




Nós, humanos, temos cérebros grandes de mais para o nosso corpo. O que os fez assim foi o crescimento de áreas do neocórtex afectas a competências cognitivas e sociais a que , em 1988, Richard Byrne e Andrew Whiten, professores de Psicologia da Universidade de St. Andrews, na Escócia, chamaram de inteligência maquiavélica. Estas capacidades permitem a adaptação social num contexto de grupos alargados e asseguram poder e sucesso reprodutivo. Quando perguntamos aos psicólogos evolutivos, aos antropólogos e aos primatologistas, que género de competências são estas, a resposta é: manipular os outros através de estratégias de mentira, e de engano. E obviamente, o outro lado da questão: suspeitar dos outros, detectar a mentira e o logro.
Esta é a má notícia: tornámo-nos humanos, a espécie ecologicamente dominante dos últimos 50.000 anos, à custa de uma expansão do cérebro que serviu para formar alianças, explorar a nosso favor as qualidades dos outros e utilizar a projecção de visões igualitárias do futuro para favorecer a nossa posição de privilégio no presente.
A boa notícia é que este cérebro poderoso pode servir para outros objectivos: relativamente à natureza, à tecnologia, ao conhecimento de si-próprio, à vida em comum.
A inteligência maquiavélica pressupõe igualmente uma capacidade que tem a designação um pouco confusa de “teoria da mente”. Temos uma ideia (teoria) sobre a consciência do outro. Sabemos que eles pensam e tentamos perceber os conteúdos do seu pensamento.

Mais dois palavrões ainda para dizer quem somos: altriciais e neoténicos. O primeiro caracteriza os seres que nascem imaturos. O segundo é a qualidade de reter características jovens na idade adulta, mas também de viver fascinado com a a juventude e os juvenis.

Este blog é sobre isto tudo: o bebé humano visto como um fantástico produto evolutivo. Imaturo mas com equipamento surpreendente. Com uma carga pesada: os genes de primata. Mas uma possível vantagem: um cérebro que, ao querer compreender e procurar nexos de causalidade, ao estabelecer mapas cognitivos e inventar a fantasia, descobriu a liberdade.