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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Fim de semana

E o regresso da Ilustrarte ao Museu da Electricidade em Lisboa.

Desenhos de todo o mundo, entrada gratuita, junto ao rio, numa exposição que, não sendo para crianças especificamente, as acolhe como deve ser.

Só boas notícias.

Mais aqui: http://www.ilustrarte.net/

terça-feira, 29 de junho de 2010

Panda, odeio-te. Tu sabes porquê.







Eu não acredito em fundamentalismos. Mesmo. Activismos a torto e a direito, movimentos anti-isto, contra-aquilo, não contam geralmente com a minha assinatura.



Por essa razão, lá em casa não há regras muito rígidas e convive-se facilmente com as coisas que impingem à criançada sem grandes proibições. Deixo a televisão ligada e deixo-os ver coisas aberrantes e/ou sem graça nenhuma como os Mecanimais ou o Ruca. Não percebo a piada mas eles parecem gostar e é esse o objectivo. Eu, pessoalmente, gosto mais de ver os filmes da Barbie, o Pequeno Ponei ou a Docinho de Morango.



Sem stress. Eu papei tudo isso em miúda e não me fez mal nenhum. Ainda hoje, quando preciso de uma caneta a meio de uma reunião de trabalho, o mais provável é que ela saia das profundezas de um estojo da Hello Kitty e que escreva em azul bebé com brilhantes e cheiro a amora.



Deixem-me explicar. Perceber (e trabalhar com) as armadilhas do marketing é saber que podemos isolar as nossas crianças de todas estas tralhas coloridas e comerciais mas vai haver um dia, há sempre esse dia, em que vão chegar da escola e perguntar porque é que todos os meninos têm uma mochila-com-DVD-incorporado-e-GPS-e telemóvel-que-brilha-no-escuro e eles não. Mais valia estarmos à espera e ter a estratégia preparada com tempo.




Enfim. Isto para dizer que eu acredito mesmo é no livre acesso e estimulação do sentido crítico. De tudo um pouco e de algumas coisas em menor quantidade. Até ver, tem resultado. É mais divertido fazer recortes na mesa da cozinha ao fim da tarde do que estar especada em frente ao Canal Panda. É mais giro sair ao sábado do que papar os DVDs das Winx. Pois ela sabe que eles estão lá. Mas também sabe que o mundo está cheio de coisas mais interessantes para fazer.



O que me leva ao verdadeiro tema deste texto. No sábado estivemos no Festival Panda, esse grande evento para a criançada que vai já na terceira edição e cujos anúncios têm dado em repeat nos últimos 2 meses. Mais omnipresente que o Festival Panda, talvez só mesmo as vuvuzelas… e mesmo essas, acreditem, baixaram o seu lugar no pódio dos ódios de estimação para um honroso segundo lugar depois deste fim de semana.



Pois que seria de pensar que foi a menina que pediu para ir ao Festidal Panda. Mas não. Foi a mãe que achou que este ano podíamos levar os meninos. Fazíamos a surpresa. Levávamos o bebé também que acha graça às músicas e bate palminhas. Fazemos umas sandocas e comemos na relva. Vamos de manhã pela fresquinha. Gastamos para cima de 50 euros, mas o que é isso comparado com o brilho nos olhos dela quando de repente der por ela e estiver no Festidal Panda.



Burra. Mil vezes burra.
Seria de pensar que, no mínimo, e já que os bilhetes não eram propriamente dados, se conseguisse pelo menos estar no recinto. Que houvesse umas sombritas, umas coisas para as crianças fazerem. Que houvesse birras na hora de ir embora e pedidos lacrimejantes para ficarmos só mais cinco minutos.



Pois que doce ilusão a minha. Que crassa falta de experiencia em eventos para massas infantis e respectivos agregados familiares.



Houve o mega-concerto da Banda do Panda e seus amigos. Um palco de fazer inveja a muitas bandas de carne e osso, ao melhor estilo Rock in Rio, onde mascotes de peluche, envergadas por pessoas que devem ter feito muito mal a alguém numa vida passada, tiveram honras de estrelas e gritos apoteóticos. Milhares de criancinhas à torreira do sol saltaram e aplaudiram as músicas debitadas por um CD fanhoso. Das 10h30 às 12h30. Duas horinhas. Pleno horário vermelho. Sem um toldo, uma arvorezinha, uma sombrita. Nada. A alternativa era o espectáculo da tarde entre as talvez mais recomendáveis 16h30 às 18h30. Mas nós achámos que de manhã estava menos gente e era mais fresquinho.



Estivemos uns minutos, o suportável. Fugimos para as pretensas diversões do recinto. Meia dúzia de espaços com as habituais pinturas faciais, jogos diversos, insufláveis. Tudo patrocinado por marcas que distribuíam leites, papas, sumos, farturas (!)e merchandising diverso, a quem conseguisse resistir às longas filas e tivesse uma vocação especial para estar de mãozinha esticada à espera da generosa oferta.



Nova fuga.
Um sítio à sombra. Um sítio à sombra. Um sítio à sombra.
Lá arranjámos uma árvore piedosa e um bom m2 de relva para sentar. Ao longe víamos as criancinhas nos insufláveis de borracha sob o sol do meio dia.


Saltavam, coitadinhas, acredito que mais pelo medo de fazer uma queimadura de terceiro grau nas pernas e no rabo do que pela diversão da coisa.



Os miúdos estavam cansados, birrentos. Olhei em volta. Parecia o estado geral de todos. Birras, irritação, calor, desidratação, filas de gente a acotovelar-se. Parece o metro em hora de ponta a uma terça-feira. Parece mesmo. Mas junte-se um carteirista hábil a sacar-nos uma nota de 50 euros do bolso para a analogia ficar perfeita.



Odeio-te, Panda”, disse entredentes. Os altifalantes do recinto replicaram “O Panda é Fixe!”.




Reformulei: “Odeio-te, organização deste evento”.
E fui de enfiada: “Por pensares que as crianças não são mais que meros sorvedouros pedinchões dos euros dos pais, por fazeres os pais acharem que os vão fazer felizes ao trazerem-nos a um evento onde a organização não quis desperdiçar uns trocos numa porcaria de uns toldos para que (não é esse o objectivo?!) eles pudessem de facto brincar, por teres escolhido um local sem condições nenhumas, por não teres gasto um tostão nas áreas de diversão e tudo passar por marcas e mais marcas e mais marcas. Por achares que as crianças não são mais que meros macaquinhos que basta pôr a saltar e a gritar refrões idiotas e os pais meros gananciosos à cata do suminho grátis para darem o dia por bem passado.”



Acima de tudo, concluí, “Odeio-me”. Por ter caído na esparrela. Não é o tempo perdido nem os euros gastos. É o ter tido, eu que até trabalho na área, a ilusão de que quando se organiza um evento para crianças um dos critérios devia ser…o bem-estar das crianças.



Depois do Festival Panda, haverá em breve e no mesmo local um evento para mamãs. Uns dizem que é porque o Parque dos Poetas tem bons acessos, etc, etc. Outros dizem que é porque leva gente a granel e dá para lá pôr bancas a rodos. Que se lixe se tem condições.


Pois quanto a mim, estou decidida.


Faz parte de uma conspiração.


Depois de tentarem fritar as criancinhas, agora estão de olho nas grávidas.


Depois não digam que eu não avisei.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Olhar para o céu

Uma ideia para o fim de semana: sair à procura de pássaros.
Parece mentira mas belezas como estas podem ser encontradas.

As fotografias são do pediatra António José Guerra.


                                                                        Alvéola Amarela


                                                                    Chasco Cinzento



                                                                   Escrevedeira Amarela



                                                                          Guarda-rios

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Momento nostálgico à beira do fim de semana

Ou.. "no nosso tempo era tudo tão mais inocente".

Ou ainda... "idades parvas haverá em em todas as gerações"

Ou mesmo... "adolescentes, não vale a pena gastarem muitas energias a criticar os vossos pais e outros adultos em geral. Quando derem por isso, passaram 20 anos a correr e estão a dizer no meu tempo, e a suspirar e a abanar a cabeça"

Crescer toca a todos. Ai é, é.  

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Teremos sempre o beijo



Podemos não ter sol este fim de semana. Nem mergulhos na praia, nem uma toalha de quadrados vermelhos numa mesa comprida sob o sol italiano. Mas beijos, esses teremos com fartura. Sempre que quisermos, que nos apetecer. Sem ter que pagar, ou poupar, ou planear. É democrático e universal. Beijar a mãe, o pai, o marido, os filhos, o bebé. Dá vontade de dançar e cantar. Espalhar o amor.

Un respiro profondo per non impazzire; una semplice storia d'amore
(...)
La tua vera natura, la giustizia del mondo
che punisce chi ha le ali e non vola.
Baciami ancora…Baciami ancora…
Tutto il resto è un rumore lontano una stella che esplode ai confini del cielo.

(É um respirar fundo para não enlouquecer, uma simples história de amor. A tua verdadeira natureza. A justiça do mundo, que castiga quem tem asas e não voa.Beija-me mais, beija-me ainda. Tudo o resto é um ruído longínquo, uma estrela que explode nos confins do céu.)

Bom fim de semana!

sábado, 10 de abril de 2010

Encher os olhos

Na exposição de Joana Vasconcelos.
"Sem Rede" está até 18 de Maio no Museu Colecção Berardo do Centro Cultural de Belém em Lisboa. É o tipo de exposição mediática que não precisava para nada de divulgação no Bebé Filósofo.

E, no entanto, merece-a. "Children friendly" q.b. (pode-se tocar na maioria das peças, mas não convém abusar... e o problema é que dá mesmo vontade de o fazer), vale a pena levá-los a conhecer os destroços desta explosão criativa que é a mente de Joana Vasconcelos.

É enorme, colorido, inesperado, surpreendente... Há lá ingredientes melhores para encher o olho de uma criança?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Um link para o fim de semana

Todos os fins de semana, o Bebé Filósofo sugere algo para fazer, ler, ouvir, contemplar ou pensar.
Para concordar ou discordar.

"Idle parenting means happy children"
(algo como "Parentalidade ociosa para crianças felizes"),
um artigo de 2008, irónico e controverso, escrito por Tom Hudgkinson para o Daily Telegraph:

Um excerto:


Manifesto of the idle parent


We reject the idea that parenting requires hard work
We pledge to leave our children alone
That should mean that they leave us alone, too
We reject the rampant consumerism that invades children from the moment they are born
We read them poetry and fantastic stories without morals
We drink alcohol without guilt
We reject the inner Puritan
We fill the house with music and laughter
We don't waste money on family days out and holidays
We lie in bed for as long as possible
We try not to interfere
We push them into the garden and shut the door so that we can clean the house
We both work as little as possible, particularly when the kids are small
Time is more important than money
Happy mess is better than miserable tidiness
Down with school
We fill the house with music and merriment

Será?