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quinta-feira, 22 de julho de 2010

O Programa Anos Incríveis


Os grupos de pais Anos Incríveis funcionam em Coimbra desde 2007 (e muito brevemente também em Lisboa e no Porto), sob coordenação de uma equipa de investigação ligada à Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação. São dirigidos a pais de crianças entre os 3 e os 6 anos de idade e permitem aos pais partilharem as suas experiências com outros pais, em grupo, ao longo de 14 semanas, em horário pós-laboral (18.00h-20.00h). Para que os pais possam frequentar os grupos é disponibilizado um serviço de baby-sitting para as crianças.

Este Programa foi desenvolvido nos EUA por C. Webster-Stratton (www.incredibleyears.com). Tem sido estudado e aplicado em diversos países e demonstrado resultados positivos a curto, médio e longo prazo, quer como programa de prevenção, quer de intervenção.

Ao longo do programa são trabalhadas aptidões como: brincar, elogiar e recompensar a criança, dar ordens de forma eficaz, estabelecer limites claros, ignorar, aplicar consequências, promover estratégias de resolução de problemas. Pretende-se fortalecer as relações pais-criança e encorajar a cooperação da criança; estreitar a relação escola-família; incentivar estilos parentais positivos; encorajar a imposição de limites efectivos e a definição de regras claras; e promover o uso de estratégias disciplinares não violentas.

Sabemos que nestas idades as birras, o “não”, o ser irrequieto fazem parte do normal desenvolvimento da criança. Mas quando estes comportamentos persistem e interferem na vida da família, na aprendizagem e nas relações sociais, temos todos de estar atentos (pais, educadoras, médicos de família, pediatras, ...). Alguns pais (e profissionais) continuam a acreditar que as crianças são pequeninas e que quando entrarem na escola “logo se vê”. Muitas vezes têm medo que os seus pequenos tesouros sejam rotulados, ou de se sentirem invadidos pela culpa (em que tantos psicólogos se esforçaram por fazer os pais acreditar). Ou estão tão isolados e sem suporte social, que não conseguem dar o primeiro passo... Não são precisas culpas, nem rótulos, apenas agir atempadamente, dando aos pais a oportunidade de se poderem sentir mais confiantes e competentes no seu papel.

Se interviermos precocemente a história poderá ter outro final e abrem-se um sem número de trajectórias de vida possíveis para aquela criança e família.

Ainda se lembra da Ana e do Tiago? Não sabemos com terminará a sua história. Mas sabemos que os pais do Tiago se conseguiram organizar para vir ao grupo, que estão disponíveis para aumentar o número de estratégias que já traziam consigo (algumas delas desde os tempos da sua própria infância) para conseguirem lidar de uma forma mais eficaz com o seu filho, e que querem fazer algo de diferente.

A maior parte dos pais também. Às vezes só não sabem é como.

Contactos:

http://projectopaismaesincriveis.blogspot.com/

anosincriveis.coimbra@gmail.com

Andreia Azevedo e Tatiana Carvalho Homem– Psicólogas, Doutorandas e Investigadoras
Maria João Seabra Santos e Maria Filomena Gaspar– Professoras da FPCEUC e Coordenadoras Científicas do Projecto

quarta-feira, 23 de junho de 2010

"Ele ainda é pequenino... isto passa" (?)

“Ontem o Tiago chegou a casa e foi o habitual... birra para ir para a banheira, para sair de lá, para vestir o pijama, para ficar na mesa, para ir para a cama... birra por tudo e por nada! Às vezes acredito que o vocabulário dele se reduz à palavra NÃO; diz não a tudo! Não quero sopa; não arrumo os brinquedos; não quero brincar a isto; não gosto de ti, és má!

O Tiago só tem 4 anos, mas valem por muitos e por todos os irmãos. Passa os dias nisto, entre birras, a dizer não, em guerras com o mano mais velho, a desarrumar a casa de uma ponta à outra, a andar de um lado para o outro e a trepar para o nosso velho sofá... No Jardim de Infância, todos os dias a educadora tem uma queixa nova, por vezes acho que faz coleção dos feitos negativos do meu Tiago... Quando o vou buscar até evito chegar muito perto, para não ter de ouvir as lenga-lengas do costume. O Tiago bateu… O Tiago gritou… O Tiago fugiu… O Tiago, o Tiago, o Tiago!

Não aguento mais! Depois de um dia de trabalho cansativo, quando chego a casa apetece-me logo fugir! Ele está sempre a contrariar-me, a testar-me. Só descanso quando está doente, é a única altura em que fica mais calmo...

Às vezes penso se será parecido comigo ou com o pai, a minha sogra diz que o meu marido também era rebelde em pequenino; ou se a culpa será nossa... Dou voltas à cabeça e lembro-me dele sempre assim. Com uma personalidade muito forte, desde bem pequenino. Aliás, os primeiros meses foram um verdadeiro inferno, chorava sem parar! Depois quando começou a andar, parecia que tinha pilhas duracel! Lembro-me que um dia estávamos a sair de casa para a escola e ele insistiu que queria uma garrafa de água, não parou até que eu lhe desse a água... sei que fiz mal, mas já não aguentava. De manhã tenho o tempo contado para entrar no trabalho.

O Tiago não é só isto, mas às vezes só vejo isto... Quando estou com a ‘temperatura mais baixa’, consigo brincar com ele à maneira dele e ele fica contente... depois abraça-me e dá-me um daqueles beijos todos repenicados, que as mães como eu adoram e de que tanto se orgulham!”


Esta é uma entre muitas histórias que conhecemos todos os dias no Projecto Anos Incríveis. Histórias de meninos, mas também de meninas; de pais que sabem que as crianças não vêm com manual de instruções e querem apenas saber se estão no caminho certo ou errado; histórias de pais preocupados com o futuro, com a entrada na escola; histórias de pais com pouca esperança, que acham que os filhos são pequenos “diabinhos” e a quem alguém sugeriu o programa Anos Incríveis; e também histórias de pais desesperados, que querem ajuda.

Contactos:



http://projectopaismaesincriveis.blogspot.com


anosincriveis.coimbra@gmail.com


Andreia Azevedo e Tatiana Carvalho Homem– Psicólogas, Doutorandas e Investigadoras


Maria João Seabra Santos e Maria Filomena Gaspar– Professoras da FPCEUC e Coordenadoras Científicas do Projecto

terça-feira, 30 de março de 2010

Olha que boa ideia...


Esta semana o Bebé está em "modo Páscoa".
E porque as crianças estão de férias, aqui ficam ideias, simples e giras, para pais e meninos fazerem juntos.

A primeira é de cortar, colar e pendurar. Figurinhas da Páscoa para todos os gostos.

Aqui e aqui.

E mais ideias gratuitas do Toy Maker.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Feliz Dia, Pai.

Post colectivo escrito por  filhos, filhas e pais*



Ser pai é ser um herói sem capa todos os dias e todas as noites.

Acordar bem disposto...E ter um coração azul com braços fortes e generosos.

É olhar sempre por nós... Mesmo que seja de longe...

Ninguém sabe ser pai, mas para que os filhos não se apercebam, os pais aprendem todos os dias a sê-lo: estudando à noite, às escondidas, as lições do coração.

Depois sentam-se no chão e brincam com os filhos, sujam a cara e mãos sem se importarem com isso, cantam na rua sem querer saber se alguém ouve, só porque isso faz os filhos rir de alegria.

(Vamos tentar conseguir brincar na rua ............... os nossos pais brincaram e contam-nos como foram felizes).

Ser pai é aprender a dar tudo… e a não esperar nada em troca.

É acordar a meio da noite para ver se estão cobertos e não apanham frio e ajudar...

É fazer que está tudo bem mesmo quando não está. Ser sólido e fiável e tranquilizador, ser clássico como nos ensinaram que tinha de ser - mas ser também um miúdo entre os miúdos, como nos ensinaram que não podia ser! É ter juízo e, de vez em quando, deixar de o ter.

Ser pai... É sonhar com eles, como eles e para eles. É sonhar acordado e dormir pronto a erguer-se por eles!

É amá-los como só o próprio amor de um pai permite amar. Ser pai é estar pronto e sempre alerta a toda a hora, a todo o minuto e saber que, a qualquer momento, é preciso voltar a ser criança, e deixar-se ir, como a suave brisa que lhes toca o rosto miudinho, sorridente, numa qualquer perfeita manhã de primavera!

Ser pai é ser criança, por eles... Eles, os meus bebés.

É Amar, É Aconchegar, É Mimar e estar sempre lá... seja para enxugar a lágrima ou para rebolar no chão à gargalhada. Ser Pai é Orgulho... É amar incondicionalmente!

É vestir a pele dos nosso heróis imaginários em brincadeiras mil, defender-nos dos "maus" e ser o "bom" sempre que precisamos, ser o príncipe encantado, o aconchego dos nossos receios.

É ser o mestre na vida de um filho… É saber dizer não, mesmo quando os olhinhos deles nos tentam dar a volta.

E... é também tomar conta da mãe e assim permitir-lhe tomar melhor conta do bebé!

É surpreender com programas especiais como: levar os filhos ao estádio do Benfica, depois à loja do Benfica, e ao Colombo comprar mais um jogo para a psp ou ps2 e ficam felizes da vida (além de todo o Amor e dedicação), porque ser pai , também é fazer coisas que eles não fazem com as mães, e devemos proporcionar-lhes esse tempo!!

Ser pai é dizer com voz tranquila: "não te preocupes com os sonhos menos bons, o bicho papão, os monstros das sombras que saem do armário ou debaixo da cama. O pai trata da saúde deles todos!" E abraçar-nos junto ao peito...

Feliz Dia, Pai.



*Obrigado Sofia, Maria, Alexandra, Célia, Joana, Constança, Inês, Fátima, Maria João, João Paulo, Carlos, Marina, Lurdes, Susana Lopes e Susana Reis, Stella, Rita, Patrícia e Helena.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Post Maratona Dia do Pai


Aqui ao lado mais uma ilustração linda do Ricardo.

As efemérides esgotam as palavras e fica-se com a sensação de que tudo já foi dito. Será?

Em véspera do Dia do Pai, O Bebé Filósofo quer preparar o texto nunca escrito, para publicar amanhã.

Lança então o Post Maratona que decorre hoje na página do Facebook do Bebé Filósofo.

Para quem é pai, mas não só. Para quem é filho também. Ou seja, para todos.

A ideia é agarrar nas palavras anteriores e continuar a escrever, deixando em aberto para o próximo.


O resultado será um patchwork de ideias sobre "Ser pai" que publicaremos orgulhosamente aqui.

Vamos embora?
O Bebé Filósofo Divulga também a tua página

quarta-feira, 3 de março de 2010

Hoje é um bom dia para...

Imprimir uma casinha de papel no trabalho. Levar para casa, cortar, pintar e colar com as crianças, depois dos banhos, antes de jantar (ou noutra ordem qualquer).

Está prontinha aqui.

E muitas ideias, simples e deliciosas aqui.


 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Fala o pai; fala a filha: o uso do telemóvel

*Por António Tavares e Joana Barata Tavares

Um estudo em Portugal sobre o uso do telemóvel concluiu que este equipamento é utilizado cada vez mais precocemente. A criança mais nova que recebeu um telemóvel tinha 2 anos!

fala o pai

Quando a minha filha tinha 2 anos não havia telemóveis, mas se lhe desse uma prenda com um lá dentro, ela ficaria feliz a brincar com o papel, desinteressada do aparelho. Se começasse a mexer nele eu até ficaria receoso que o estragasse.

Agora, quando sou eu a mexer no computador dela, ouço “Ó pai, sai daí! Estragas-me isso”. Sempre duvidei se a questão era eu não ter jeito para aquilo ou se era a preocupação de que eu visse o e-mail do namorado, “um rapaz vil e viperino" que existe na minha imaginação desde que ela completou 13 anos!”


Decidi fazer um curso sobre Internet. Mas ela insiste em relembrar-me, do alto dos seus 24 anos, “Não mexas no meu portátil, não percebes nada disso!”

Ela tem um PDA, que serviu para, um Natal, eu gastar 250 € e fazer-lhe uma surpresa. Ela disse-me “Ó pai, podes dar-me este presente! Pagou a mãe.” Era como dizer: “pagaste tu, sem teres autorizado que os 250 € voassem da tua conta.”

O PDA vinha num embrulho com papel colorido e laço vistoso. Ela adorou a “minha ideia em lhe ter comprado aquele presente, como é que eu sabia que era aquilo que ela desejava!”
Eu estava feliz por “lhe” ter comprado o que ela queria! “Sempre fui muito perspicaz a avaliar as suas pretensões!...”


Enquanto ela dissertava sobre a próxima prenda que eu “lhe” iria dar, o iPod, eu acabei a guardar o embrulho, tão giro que até serviria para uma próxima prenda.

Provavelmente foi isto que fez a criança de 2 anos ao receber o telemóvel. Brincou com o embrulho e não ligou ao aparelho.


Fala a filha


O meu pai ainda não percebeu que o iPod foi comprado antes do PDA.

De facto, o que “ele me comprou” primeiro foi um telemóvel, quando fiz 13 anos e comecei a andar com o tal namorado “vil e viperino”, cuja existência ele imagina e só agora, do alto dos meus 24 anos, assumo ter existido.

Acrescento que o tal curso sobre Internet nunca chegou a ser concluído…


Falam ambos

Actualmente não está estabelecida uma relação de causalidade entre os campos electromagnéticos dos telemóveis e algumas doenças. Mas, devido aos possíveis efeitos cumulativos de um elevado tempo de exposição, podemos assumir que ter um telemóvel aos 2 anos é muito cedo.

Há queixas sobre eventuais efeitos dos campos electromagnéticos na saúde. Mas quem nunca poderá reclamar sobre isso é quem ofereceu o telemóvel a uma criança de 2 anos.


António Tavares – Médico Especialista e Doutorado em Saúde Pública. Director do Departamento de Saúde Pública e Delegado de Saúde Regional da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo. Professor Convidado de Saúde Pública da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa.


Joana Barata Tavares – Médica Interna do Ano Comum no Centro Hospitalar Lisboa Ocidental.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Um link para o fim de semana

Todos os fins de semana, o Bebé Filósofo sugere algo para fazer, ler, ouvir, contemplar ou pensar.
Para concordar ou discordar.

"Idle parenting means happy children"
(algo como "Parentalidade ociosa para crianças felizes"),
um artigo de 2008, irónico e controverso, escrito por Tom Hudgkinson para o Daily Telegraph:

Um excerto:


Manifesto of the idle parent


We reject the idea that parenting requires hard work
We pledge to leave our children alone
That should mean that they leave us alone, too
We reject the rampant consumerism that invades children from the moment they are born
We read them poetry and fantastic stories without morals
We drink alcohol without guilt
We reject the inner Puritan
We fill the house with music and laughter
We don't waste money on family days out and holidays
We lie in bed for as long as possible
We try not to interfere
We push them into the garden and shut the door so that we can clean the house
We both work as little as possible, particularly when the kids are small
Time is more important than money
Happy mess is better than miserable tidiness
Down with school
We fill the house with music and merriment

Será?