sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Fim de semana

E o regresso da Ilustrarte ao Museu da Electricidade em Lisboa.

Desenhos de todo o mundo, entrada gratuita, junto ao rio, numa exposição que, não sendo para crianças especificamente, as acolhe como deve ser.

Só boas notícias.

Mais aqui: http://www.ilustrarte.net/

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A esperança não vem em latas



Não há luzes na rua, respondi-lhe, 
Mas temos luzinhas lá em casa. E teremos sempre luzinhas no nosso coração. E isso é o mais importante.

(Que treta, Constança. Que treta, grito silenciosamente a mim própria. 
Isto que estás a dizer à tua filha de cinco anos são tretas e tu sabes.)

Ela antecipou-se, e quase em eco com a minha voz interior, disse: 
Isso não faz sentido nenhum, mãe.

.............


Bom. A verdade é esta.

Em Dezembro de 2011 não houve luzes de Natal na nossa rua. Até podiam ser fiadas simples, aproveitadas das festas da terra, uns meses antes. Mas não houve. Nem uma. Como também não houve nas varandas das casas das pessoas que todos os anos ajudam a enfeitar a rua.
Nada.

Em Dezembro de 2011 por falta de dinheiro, ou de espírito, ou de ânimo ou, se calhar, por nada disto, mas apenas por vergonha de estar associado a qualquer coisa vagamente semelhante a uma comemoração ou festa, não houve uma única luzinha de Natal na minha rua.

Não entendam mal. Este texto não é um manifesto a favor das iluminações ou o que quer que seja. É só uma reflexão. Pensar ainda é gratuito, então eu acho que em alturas como esta, pensar é uma coisa que toda a gente devia fazer mais.

(como dar abraços e beijinhos e escrever bilhetinhos e dizer coisas parvas e rir à gargalhada. Isso também é tudo gratuito, mas compreendo que ninguém tenha grande vontade de o fazer. Só se fossemos tontinhos, dir-me-iam, se calhar, se eu o sugerisse neste texto.Não sabes a situação em que estamos?)

Como estamos em crise, as reacções que temos têm que ser mais pensadas, mais de acordo com “o manual de normas do comportamento aceitável em momentos de crise”.

Por exemplo. Não temos luzes de Natal nas ruas, mas depois, no dia de Natal, aparece um vídeo da Coca Cola a dizer que vai tudo correr bem. De repente temos vontade de abraçar toda a gente e distribuir beijos a eito. Vai correr tudo bem, mundo! 
Mas espera. 
Agora há um novo vídeo e este diz que temos é razões para odiar a Coca-Cola e os governos e que afinal há muito mais pessoas corruptas no mundo do que ursinhos de peluche e pronto, está tudo estragado outra vez. Que desânimo, para quê levantar da cama, estamos condenados, afinal. É aquela questão que sempre detestei: o copo está meio cheio ou meio vazio? E quem decide a perspectiva: somos nós ou quem segura o copo?

São assim os sentimentos enlatados. Trazem interesses escondidos, são de rápido consumo e pior, sejam bons ou maus, positivos ou negativos, não são nossos. Nós só somos ecos, arrastados na maré. 

Colaborantes, quase sempre. Algumas vezes mais inflamados. A encolher os ombros, na maior parte dos casos. Foi assim no final deste ano. Adivinha-se assim o próximo. A indiferença é mais gerível, afinal. Não cansa tanto.

No ano passado escrevi aqui uma história em que as crianças salvavam o mundo da indiferença.

Este ano não chamo os pássaros, e poupo nas metáforas. Vou dizê-lo claramente: são as crianças que vão salvar o mundo.

Porque não é preciso ensinar-lhes a esperança. Porque riem se estão felizes e choram se estão tristes. E o mundo pode mudar a cada dia, mas elas continuam a acreditar no Pai Natal e em fadas, e na magia em geral. E mais do que nunca, hoje, acreditar no Pai Natal e em fadas é absolutamente essencial.

Porque fazem perguntas, porque questionam, porque não desistem até terem resposta. E se a resposta não é satisfatória, elas perguntam outra e outra vez. Porque fazem birras, e porque o fazem em muitos casos, porque acham mesmo que têm toda a razão e que não é justo. E se não é justo, qual é o sentido de se calarem?

As crianças podiam salvar o mundo porque são corajosas. Porque enfrentam os adultos, quando estes têm duas vezes o seu tamanho. 

Mas acima de tudo, porque é na adversidade que pedem mais beijos, mais colo, mais amor. Porque quando estão tristes ou sozinhas, ou com medo do escuro no meio da noite, chamam por alguém.

E isto é o que todos devíamos fazer.


A tua pulseirinha está quase a romper-se, digo-lhe, para desviar o assunto das luzes,
Ainda te lembras do que desejaste?

Claro que sim, mãe.
Desejei um lindo arco-íris e duas borboletas.

….

segunda-feira, 25 de julho de 2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011

As crianças e a crise



Por Deolinda Barata*

É uma realidade inquestionável que a “crise” também chegou ao universo das nossas crianças e para isso muito contribuiu a televisão que as bombardeia constantemente com a “crise financeira”, o “IVA”, o “FMI”, a “BOLSA”, o “Rating”. Descobrimos até que fazem arremedos a opinar sobre a política fiscal… «então mãe, não achas que o IVA não devia aumentar, porque assim as coisas ficam mais caras e é pior para toda a gente?»!


Este facto obriga-nos a estar redobradamente atentos não ocultando este registo às crianças para as poupar a preocupações e ansiedades!

Além disso os pais/família têm de assumir uma atitude equilibrada, sensata e ponderada para que a “ansiedade financeira” causada pelas medidas de austeridade, vivenciando um quotidiano, por vezes doloroso, de sobrevivência, não os coloque a si mesmos num estado de preocupação, ansiedade e mesmo de dramatismo que os torne muito menos disponíveis e despertos para as inquietações das suas crianças. É fundamental não esquecer que se deve dar sempre às crianças uma perspectiva de “saída”, de optimismo e positiva em relação ao futuro. Pois para se ter empenho e interesse em crescer com as potencialidades de desenvolvimento como pessoa, é necessário ter uma ideia de “futuro” e não de “beco sem saída”.

Esta atitude proactiva seguramente implica uma reformulação do modelo de vida vigente (baseado no consumo e no “quanto mais melhor”, mesmo que desnecessário), educando os nossas filhos, dando importância mais “ao ser” do que “ao ter”. É óbvio que é necessário aprender a viver em padrões de desenvolvimento diferentes, outras formas relacionais de vida, com maior enriquecimento pessoal, sem ser necessariamente à custa do consumo exagerado de bens materiais.

É necessário reformular hábitos, saber, em total partilha e envolvimento das crianças (explicando de maneira adaptada às suas idades, desdramatizando as arestas mais agudas) estabelecer um plano de despesas e gastos, estabelecendo prioridades e banindo o que é supérfluo. Esta atitude não significa um empobrecimento da vida relacional, afectiva, social e cultural, bem pelo contrário.

Por paradoxal que possa parecer, as “crises” em geral obrigam-nos a repensar os projectos de vida e a encontrar soluções mais criativas e eventualmente mais satisfatórias. Assim, é fundamental que os Pais/Famílias evitem dar uma dimensão catastrófica da vida, oferecendo sempre a ideia de que há um “futuro” para o qual há uma saída, reforçando o conceito que o ser humano é dotado de uma capacidade de adaptação às adversidades, ultrapassando-as. Deve ser dado relevo a que as pessoas/famílias podem sair destas crises (quando superadas com equilíbrio) com aumento das suas competências relacionais, sociais e culturais.

Contudo não deve ser esquecido que existem situações de extrema pobreza, degradantes sob o ponto de vista humano, que conduzem à exclusão social e que obrigam necessariamente a desencadear medidas concretas de ajuda, nomeadamente pelos órgãos de decisão (Estado/Governo), dotando as famílias de meios que lhes permitam sair desta situação humilhante socialmente. Além disso, deve ser fomentada uma cultura de cidadania, com sociedades solidárias e preocupadas com “o outro” que necessita de ajuda.

Como explicar a crise às crianças

A crise deve ser explicada às crianças com verdade, de uma maneira simples e perceptível para o seu grau de compreensão, sem dramatismos desnecessários ajudando a fazer opções, sempre com o seu envolvimento e partilha nas decisões. É fundamental explicar que a impossibilidade de comprar coisas que não são prioritárias não é uma catástrofe, pois há crianças que podem vivenciar estas opções angustiadas pela ameaça de “ruína” (todos nós já vivemos com menos bens de consumo e não nos angustiámos e envolvemo-nos com a vida com alegria!).

Obviamente que o “aperto” financeiro dos pais pode ser motivo de ansiedade entre os mais novos se os pais projectarem sobre os filhos as suas inquietações, angústias e a ansiedades.

Os pais com a vida pessoal e profissional tão intensa e exigente, a quem resta pouco tempo para partilhar com os filhos, é frequente que, numa atitude de desculpabilização e compensação “comprem” os filhos, oferecendo-lhes bens materiais, a maior parte das vezes desnecessários. Como nesta época de crise a capacidade de compra diminuirá consideravelmente, podem agora os pais explorar outras abordagens, encontrando maior disponibilidade de tempo para o envolvimento afectivo e emocional com os seus filhos.

*Deolinda Barata é pediatra e presidente da Secção de Pediatria Social da Sociedade Portuguesa de Pediatria. 


terça-feira, 22 de março de 2011

Super-mães

Por Cláudia Pinto*




Contar histórias… Conhecer pessoas… Sentir-me pequenina quando vejo que, por vezes, também eu reclamo de quando em quando de coisas que, pasme-se, não têm mesmo importância! Enquanto jornalista especializada na área da saúde, tenho o grande privilégio de me cruzar com pessoas que têm uma história para contar e que me dão as maiores lições de vida que se possa imaginar.

A experiência é tão enriquecedora que tento manter-me a par das novidades e saber como estão… O Facebook acaba por ser um excelente aliado para que me sinta perto de entrevistados que me marcaram, por um ou outro motivo, e com quem acabei por ficar com uma ligação especial. Porque só assim sei viver nesta profissão.

Ao longo deste percurso, conheci verdadeiras super mães. Sara, Patrícia e Cristina. Três nomes de grandes mulheres, mães ideais, cada uma com uma história para contar e pelas quais tenho a maior admiração. Todas elas mães coragem que não baixaram os braços com as adversidades e que são movidas pelo amor. Sempre.

Sara Melo, mãe de cinco filhas, quatro delas, quadrigémeas. Todas elas foram as protagonistas de um artigo intitulado “Em quatro minutos, quatro bebés”. Benfiquista de coração, programou uma segunda gravidez porque gostava muito de ter um menino (já imaginava o filhote a jogar no Glorioso) até que uma ecografia deixou todos os profissionais da clínica extasiados. Aos poucos, Sara apercebeu-se que esperava quatro filhos… Sem tratamentos de fertilidade. De forma natural. Como se a mãe natureza a tivesse escolhido devido à sua garra, forma de viver a vida e de enfrentar a responsabilidade. Parece que Sara nasceu para ser mãe. Só uma pessoa com a sua energia e maneira de ser consegue dedicar-se por inteiro à maternidade no seu esplendor sem nunca ter sentido necessidade de apoio psicológico e com uma recuperação fora do normal. A vida é hoje e há que enfrentá-la. Sem medos. Como Sara sabe fazer tão bem ainda que durma poucas horas e se desdobre em funções.
Miriam, Zaida, Alícia, Cíntia e Dânia fazem as delícias de Sara e de Edgar, o super pai. Um dia-a-dia pouco rotineiro e cheio de aventuras para contar. Se tiver curiosidade, acompanhe http://www.mimieasquadrigemeas.blogspot.com/ e conheça melhor esta grande família. 
Patrícia Cãmano é mãe de Leonardo. Também ela tem dias e noites fora do comum e muito agitadas. Trabalha muito, dorme pouco, move céus e montanhas e não desiste. Consegue com determinação, serenidade, muito cansaço e amor incondicional apoiar o seu “ratinho”, um bebé que sofre de uma doença rara denominada de Lisecenfalia, que significa, cérebro liso.

O Leonardo é um bebé muito bonito a quem foi dada uma esperança média de vida de dois anos… mas felizmente o segundo aniversário já foi comemorado e os papás continuam a viajar até ao estrangeiro e a pedir variadas opiniões médicas para garantirem que a sua qualidade de vida melhora e que o sofrimento provocado pela doença pode ser minimizado. Não desistem. Vão à luta. Não se resignam. O Leonardo tem “um atraso mental profundo, com uma idade mental equivalente a 3 ou 5 meses de idade”, epilepsias graves e uma reduzida esperança média de vida. Contei esta história numa das revistas para onde escrevo e mantenho contacto com Patrícia via Facebook… Sinto-me impotente por pouco poder fazer mas apelo a quem souber mais sobre esta doença e a quem consiga aconselhar um especialista ou apoiar esta família de qualquer forma, que o faça sem hesitar. Não deixe de aceder ao blog oficial deste lindo “ratinho” em http://cerebro-liso-lisencefalia.blogspot.com/

Cristina Gonçalves Ferreira, mãe de António. Tudo corria bem na gravidez até ao 5º mês. Uma infecção contraída na gestação fez com que o seu filhote tivesse pressa de nascer. E nasceu. Com apenas 674 gramas. 24 de Abril de 2008 foi a data de nascimento do pequeno António, um verdadeiro lutador. Nasceu cedo demais como a defender-se da infecção que perturbou precocemente a gravidez.
A mãe de apenas 27 anos teve de aprender a lidar com a realidade de ter um filho prematuro que passou dez meses na unidade de neonatologia do Hospital de São Francisco Xavier. Cristina passava entre 10 a 12 horas no hospital para acompanhar o crescimento do pequeno António que sempre demonstrou vontade de viver. Os pais babados acompanham passo a passo o seu crescimento. Felizmente, António nunca ficou com sequelas motoras ou psicológicas. Três anos depois, é um bebé enérgico, carinhoso, de sorriso encantador… 
A mãe Cristina teve de dedicar-se em pleno ao seu filhote e deixar de lado alguns projectos profissionais, apesar de ter voltado para o curso de arquitectura que ficou em segundo plano depois do nascimento. Cada pequeno passo de António transforma-se numa grande vitória para a família.

Três mães, três histórias, três realidades. Mulheres que tive o privilégio de conhecer e que transformam a minha profissão na nobre possibilidade de contar estas histórias e passar mensagens de coragem. Para mim, que ainda sou só jornalista, tia de dois sobrinhos (a caminho do terceiro) e ainda não me aventurei na maternidade, fica o exemplo da enorme coragem com que cada uma vive os dias imprevistos e a realidade desconhecida. Espero um dia ser uma mãe tão forte, dedicada e brilhante! Sara, Patrícia e Cristina são AS super mães. Indiscutivelmente. Merecem o respeito de todos e a admiração de quem se cruza com elas. 

Merecem que a vida as trate bem. Porque dão muito da sua energia à vida. 

*Cláudia Pinto é jornalista especializada na área da saúde, editora do Jornal do Centro de Saúde e colaboradora em várias publicações da área. Está actualmente a concluir o Mestrado em Comunicação em Saúde pela Faculdade de Medicina de Lisboa.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Post-útil #6: Os vencedores ganham chocolate!

A Ana Catarina Pereira está  oficialmente nomeada como nossa colaboradora para sugestões giras de actividades para fazer com as crianças. Espreitem lá mais esta!

Uma ideia para oferecer à criançada nas festinhas de aniversário e substituir o saquinho carregado de chocolates, rebuçados, gomas e afins.......Feito com a ajuda deles!

Derreti uma tablete de chocolate com um pouco de leite e manteiga em banho maria.
Depois de tudo derretido passei para forminhas de queques com a altura de 1 cm de chocolate.
Vai ao frigorifico solidificar.
Depois é só retirar com cuidado.
As crianças podem cortar o papel de aluminio em quadrados e ajudar a forrar o chocolate.
Por fim é  colar uma fitinha ( ter várias cores - em qualquer retrosaria há) para colocar à volta dos pescoços deles.

Olhem as medalhas aqui! Tão giras!